domingo, 8 de outubro de 2017

Campanha de RPG: Expedição a Ilha Kroa. CAPÍTULO 14: Luta nas cavernas, Luta na floresta

PROLOGO: Conversa de Estalagem
CAPÍTULO 1: Heróis Improváveis.
CAPÍTULO 2: Capitão Harub!
CAPÍTULO 3: A partida do Porto!
CAPÍTULO 4: Luta ou dança?
CAPÍTULO 5: O ataque dos Kobolds!
CAPÍTULO 6: A entrada para o Quadrilátero da Névoa!
CAPÍTULO 7: Duelo em alto-mar! Harub vs Edgard!
CAPÍTULO 8: Espólios
CAPÍTULO 9: O segredo do Capitão Harub
CAPÍTULO 10: Explorações e descobertas
CAPÍTULO 11: Combate na vila élfica!
CAPÍTULO 12: Novos companheiros, novas jornadas.
CAPÍTULO 13: A Fortaleza Flutuante


CAPÍTULO 14: Luta nas cavernas, Luta na floresta


O grupo entra pela passagem. O som de água fica mais nítido. A medida que avançam o ambiente fica mais e mais claro! Gigantescos cogumelos florescentes iluminam o ambiente. A caverna se abre em um grande salão. Um riacho corre ao fundo e, do outro lado, várias entradas. É um local imenso, mas nem sinal do Dragão.
-Nenhum rastro da fera. – Aponta Caliel para o solo. – e imaginar que minha comunidade sempre evitou a região. Foi fácil entrar!
-Facil até demais. – Renk estava plenamente alerta. – Não fiquem confiantes demais. Cometer erros contra dragões é cavar a própria sepultura
Harub fareja o ar atenciosamente.
-Este cheio... é de agua salgada do mar! Como pode? Aquele riacho pode estar ligado ao mar pelas cavernas! Impressionante.
-A criatura poderia então sair pela água com tranquilidade. Parece fundo o bastante. Devemos...
Renk é interrompido por um movimento na água! Duas criaturas saem do riacho guinchando!
-São Chuuls! Essas coisas habitam o litoral! Devem ter subido pelas cavernas.
-Sinto a agressividade, estão protegendo território! Vão atacar! – Luna adverte.
Karim e Renk avançam sobre as criaturas. Elas parecem furiosas com a presença dos heróis e levantam as garras ameaçadoras.
-São imensos! Quase do tamanho de um cavalo! – Comenta Renk empolgado. Lutar contra criaturas é um desafio que aumenta o apetite do meio-elfo por pelejas.
Karim estuda a criatura a sua frente. Suas laminas conseguiram perfurar a carapaça duríssima dos monstros?
Caliel e Luna correm em direção de um dos cogumelos gigantes. A elfa apruma o arco. Amaldiçoa a si mesmo por usar um arco orc, mas era o que tinha disponível. Os monstros receberiam sua frustração pelas flechas.
Luna fica a retaguarda de Renk. Da ultima vez, o meio-elfo quase morreu. Era preciso ficar vigilante
Harub saca a pistola e atira na criatura. A bala acerta a garra e resvala.
-Duro como pedra! Cuidado, todos vocês! Esses bichos estão fora de seu ambiente, devem estar loucos de ódio!
A criatura a frente de Harub golpeia com a garra. O impacto no solo racha o chão!
O outro monstro começa a escavar o solo com as poderosas garras. E do chão extrai uma rocha imensa, quase do seu tamanho!
-Ele vai joga-la! Protejam-se! – Grita Karim, enquanto avança.
A rocha voa em direção aos heróis, Renk olha para trás
-Pode acertar a Caliel...droga! – O meio-elfo mantem a posição e recebe o impacto da rocha, que o joga para trás.
Harub salta para frente e fica de cara com a criatura. Aponta o sabre para o monstro:
- Venha monstro! Meu sabre precisa desenferrujar um pouco!
Caliel estava prestes a lançar uma flecha quando estilhaços da rocha a atingem. A flecha que estava aprumada no arco voa para o alto e se perde no fundo da caverna.
- São bem inteligentes...pressentiram que iria atirar!
Assim que Harub se coloca na frente do Chull, este corre em direção a Renk, ainda caído! Quase que o Canita é atropelado!
-DROGA! – O meio-elfo cruza os braços sobre o rosto.
A martelada da garra o acerta em cheio. Estilhaços de rocha voam com o impacto!
Luna vai em direção a Renk para prestar auxilio. O colega está em apuros!
Karim saca a espada, tentando se colocar entre o monstro e os demais companheiros.
O Chull que lançou a rocha para rosnando na frente da Shinigami. Tenta golpea-la com suas potentes garras, mas erra
-Ele é bem forte, mas lento. Devo ser cautelosa! – Conclui a Shinigami.
O monstro golpeia novamente, a garra desce sobre o meio-elfo.
Era o momento de reagir.
Renk larga a espada e segura o golpe com as duas mãos!
-Você.... não vai ter .... outra chance! – O meio-elfo desvia da garra e rola, pegando novamente a espada!
-SUA LAGOSTA INFELIZ! TOME ISSO!!!
Um relâmpago sai da ponta da arma, atravessando o monstro e partindo em direção do outro Chull, que também é atingido!
-Agora vi serviço, mestre meio-elfo! – Harub golpeia uma das pernas da criatura, arrancando carapaça e sangue.
Luna se aproxima de Renk e inicia uma magia de cura
-Seu louco! E se ele golpeasse com as duas garras? Voce não teria como esquivar!
-Eu... dou conta! – Renk estava ofegante. Apesar da magia curar suas feridas rapidamente, o movimento fora muito mais cansativo do que parecia. Era como se a espada tivesse sugado mais energia do que de costume.
O Chull a frente de Renk recua guinchando. O ataque o feriu, mas parece que tem algo a mais.
-A...minha tocha? – Luna observa como o monstro encara a tocha com atenção a medida que recua – Ele... TEM MEDO DE FOGO!
O monstro a frente de Karim golpeia novamente. A Shinigami desvia do golpe com agilidade, golpeando o flanco do monstro. Os golpes não parecem surtir muito efeito.
Caliel fica estática. Já caçou varias vezes com seu povo, mas nunca tinha visto tamanha improvisação e trabalho em equipe ao mesmo tempo! Queria engajar no combate, mas como?
Renk se desloca para a lateral de guarda fechada, dando espaço para Luna.
- Sua vez Luna! Faça sua luta! – Se a criatura se movesse para atacar a sacerdotisa, o meio-elfo seria impiedoso.
Caliel sai do esconderijo e puxa a corda do arco. As criaturas receberiam um tiro inesquecível.
O Chull recua, mas ainda tenta golpear Luna, que segura uma tocha na mão enquanto faz uma prece.
-Que a luz da paz brilhe sobre os aflitos! SANTUÁRIO! -  Uma aura protetora brilha sobre a sacerdotisa. As criaturas recuam com as garras para cima.
Agora! Karim, Caliel! – Luna sabia que os monstros não ficariam inertes por muito tempo
- Peguem isso! – Caliel dispara. A flecha cruza a caverna e passa pela tocha, retirando preciosas labaredas, deixando o projetil incandescente! Ao cair, o chão começa a pegar fogo!
- O chão está cheio de guano e turfa inflamável! Onde cair chamas, terá fogo! – A elfa estava surpresa com a percepção dos companheiros. Eles rapidamente mudaram o foco da luta para uma captura. Então, ela também se adaptaria.
Karim pega outra tocha e começa a tocar os Chulls. Agora estavam bem juntos. Será que Luna conseguirá amansa-los?
Capitão Harub acende outra tocha e corre para o lado oposto. Assim as criaturas ficariam quase cercadas!
Os heróis ficam de prontidão para a tentativa de Luna. Qualquer movimento seria retaliado.
Uma das criaturas tenta fugir, mas Harub sacode uma das tochas e espanta ela para o centro da armadilha
- Vocês não estão em seu território. Foram trazidos aqui, não é? Não precisam temer o fogo ou nós.
A aura da sacerdotisa iluminava seu corpo. Todos na caverna sentiam menos agressividade. Esse é o real poder dos Clerigos de Lena, o poder de acalmar as emoções para preservar a vida.
As criaturas abaixam as garras. Elas se renderam.
-Não são totalmente ignorantes, mas podem se assustar fácil, mantenham só uma tocha acesa! – Os heróis apagam as tochas, mantendo apenas a da sacerdotisa.
-Não acredito que conseguimos doma-los! – Renk observa os monstros andando pela caverna, mascando fungos recolhidos do chão.
-Não estão domados. Somos apenas bem-vindos enquanto não fizermos nada agressivo, ouviu Sr. Guerreiro? – Luna belisca a bochecha do meio-elfo.
-S-Sim! Devemos continuar! Para onde vamos? Tem varias entradas não? – Renk observa as passagens após o riacho.
- O vento sopra da passagem da direita. – Caliel pondera enquanto cruza o riacho com um salto.
- Sinto algo mórbido na passagem do centro. – Karim comenta enquanto avança.
- Sinto cheio de confusão em qualquer passagem! – Capitão Harub ironiza.
***
KALI salta para uma arvore e saca um arco. Apruma DUAS flechas na arma e mira cuidadosamente.
-Vamos mestiço. Dance com minha irmã! – Diz a elfa-negra, bem humorada.
-Uma vai ficar me espetando enquanto a outra ataca – Conclui Smash. Vai ser um duelo injusto...
O meio-elfo não tem tempo de concluir o pensamento. De repente, tudo fica escuro como a mais profunda noite!
-Escuridão magica, a habilidade natural dos elfos-negros. Essa eu ví chegando de longe!
Smash saca a espada magica:
-“ - Caex! Vaeri persvek vargach!” (Espada! Dance na batalha!) – O brilho da espada dançante flutuando no ar cria um mínimo campo de visão.
-Vai ter que bastar...Quando terminar aqui, o Renk vai morrer de inveja!- Com toda a confiança, Smash saca a adaga, sabe qual é o próximo movimento do inimigo
- Vamos garota... faça seu movimento... – Smash abre os olhos o máximo possível. Teria que captar quaisquer fragmentos de luz para ter certeza do ângulo.
-Pela direita! – O reflexo da lamina da elfa-negra reluz no breu. O meio-elfo se inclina para traz, quase caindo, e agarra o braço da elfa-negra, torcendo-o
De repente, o zunido de uma flecha rompe o silencio. Era Kali disparando em ataque coordenado com a irmã!
-Sincronia perfeita! – Smash puxa Krisna e a coloca de frente para o disparo. A elfa negra leva a flechada certeira na perna!
-MESTIÇO DESGRAÇADO! KALI! ELE TENTA....
Smash rasga o rosto da elfa-negra com a adaga. Não daria tempo para ela avisar a colega sobre o ardil.
Com a mão no rosto, Krisna não percebe a espada de Smash voando em sua direção.
A espada do meio-elfo golpeia o flanco da elfa-negra, a fazendo se afastar, deslocando a bolha de escuridão a sua volta junto com ela.
-Droga! Lá se vai a cobertura! – Smash tenta saltar, mas outra flecha é disparada. Kali manteve duas flechas prontas desde o inicio do combate. Esta acerta o meio-elfo de raspão, no braço esquerdo.
-Nunca subestime um mestiço. – Smash sorri com malicia enquanto limpa a adaga. – Vamos moças, vamos continuar dançando.
-TOMA ISSO ELFA MALDITA! – Smash arremessa a lança que recolheu do elfo-do-mar, ela voa de modo incrivelmente reto!
-Ele nunca vai conseguir me acert...- a bravata da elfa-negra é interrompida quando a lança travessa seu tórax!
-Como...é possível...- A escuridão se dissipa. Krisna vê seu inimigo sorrindo pela ultima vez.
-Como? Sorte, oras. Nimb sempre sorri para os mais ousados.
É quando um raio cai sobre a elfa-negra, calcinando seu corpo! Era o efeito magico oculto da lança em funcionamento!
-Sorte dupla. E aí moça da arvore? Vai brincar mais com o mestiço?
A elfa negra salta da arvore e corre! Está fugindo!
- Maldito mestiço! Está cheio de truques! – Kali praguejava enquanto corria pela floresta –  Mestre Zanzer vai me esfolar por causa desse fracasso!
- Ele não vai ter tempo para isso. – Diz Smash, correndo ao lado da elfa negra!
Kali mal tem tempo para se defender. Cruza os sabres sobre o peito, para evitar o ataque.
Que vem por traz.
A espada magica atravessa as costas da elfa negra. Smash tem tempo de chuta-la na direção da arma, que fica junto de seu corpo inerte.
- Poxa, devia ter tentado captura-la. São mais frágeis do que imaginei. Bem, mãos a obra!
Smash faz a macabra tarefa de cortar a cabeça da elfa, recolhe as coisas dela em sua mochila e vai em direção do outro cadáver, fazendo o mesmo.
Observando com atenção, o meio-elfo entende algumas coisas sobre suas oponentes.
- São bem jovens. Talvez até inexperientes. Acho que só a primeira sabia usar a escuridão magica... espero que tenham vindo sem avisar os superiores, senão vao partir em busca das duas desgarradas.
Smash corre em direção ao acampamento. O sol estava cada vez mais intenso. Seu corpo pesava com o equipamento a mais. Ele suava, muito.
-Tem... algo errado... não devia ser tão puxado... – O meio-elfo bota a mão no rosto e sente um calor intenso. Está com febre!
- Veneno? Quando? – Ele vasculha a mochila e retira a adaga de Krisna. Ao cheirar a lamina, a constatação.
- Que.... vacilo....
Smash cai, sozinho, na floresta
***
Smash acorda em uma grande cabana, sob um cobertor de pele. O cheiro forte de couro invade seu olfato e o deixa um pouco enjoado.
-Onde estou? Que tipo de cabana de bárbaros é essa? – O meio-elfo observa a “coleção” da cabana: Cabeças de animais e carapaças enfeitavam toda a parede circular da residência. Toda a sorte de predadores. Cascos blindados e espinhosos. Chifres e presas. Ao centro, uma fogueira crepita dentro do crânio de um Tiranossauro!
-Preciso sair daqui. Avisar os outros sobre a fortaleza e o dragão!. – Apesar da tentação de revistar em busca de tesouros, tinha que pensar de modo prioritário. Estava apenas de calças, sem nenhum equipamento. Sentia que o veneno perdera o efeito, mas o cansaço era terrível. Teria que improvisar. Ele vai até a única saída e espia.
Ao puxar a pele de animal que servia de porta para a cabana, Smash viu a real natureza do local onde estava.
-Uma vila sob arvores gigantes... muito bem camuflada. Vai ser dureza escapar. Vou precisar de minhas coisas. –Pondera o meio-eflo.
Nas sombras, uma voz sibilante responde.

-Obrigado pelo elogio, caçador-solitário. Vejo que nossa drogadora conseguiu te colocar em pé bem rápido. Fico satisfeita. Tenho algumas perguntas a lhe fazer!

sábado, 7 de outubro de 2017

Campeonato de Silêncio 2017!!!!

E vamos a mais uma fase do Campeonato Interclasse de Silêncio Absoluto da Escola Maria Isabel Nevez Bastos no ano de 2017!!!

Esse Quarto Bimestre promete! Veremos o resultado final desse ano! Boa sorte a todos!


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Campanha de RPG: Expedição a Ilha Kroa. CAPÍTULO 13: A Fortaleza Flutuante!

PROLOGO: Conversa de Estalagem
CAPÍTULO 1: Heróis Improváveis.
CAPÍTULO 2: Capitão Harub!
CAPÍTULO 3: A partida do Porto!
CAPÍTULO 4: Luta ou dança?
CAPÍTULO 5: O ataque dos Kobolds!
CAPÍTULO 6: A entrada para o Quadrilátero da Névoa!
CAPÍTULO 7: Duelo em alto-mar! Harub vs Edgard!
CAPÍTULO 8: Espólios
CAPÍTULO 9: O segredo do Capitão Harub
CAPÍTULO 10: Explorações e descobertas
CAPÍTULO 11: Combate na vila élfica!
CAPÍTULO 12: Novos companheiros, novas jornadas.


CAPÍTULO 13: A Fortaleza Flutuante

A montanha se mostrou um obstáculo razoável, mas não pela sua parte Sul. Smash escalou as pedras com precisão e cuidado. Quando encontrou o ponto que Karim indicou, percebeu a dimensão dos problemas.

O castelo flutuante estava a no fundo do vale, a sua frente.

-É grande. Deve caber mais de cem criaturas tranquilo... e o pior e que está flutuando bem alto, mais de vinte metros. Eles devem ter montarias aladas ou cordas para entrar. Vamos mais perto.
Ele desceu a encosta. Se estivesse sem a capa e as botas élficas, seria uma presa fácil. O equipamento realmente parecia encantado. Pequenos lagartos e aves só percebiam o meio-elfo quando este estava prestes a toca-los!

-Vou agradecer a princesinha elfa depois, da-lhe artesanato élfico! – Pensou o furtivo guerreiro.
Smash chegou a quase dois kilomentros da estrutura. Agora via com detalhes a movimentação abaixo. Ele sacou uma luneta que “emprestou” do Capitão Harub:

-Nossa! Estão desmatando tudo abaixo do castelo. Devem precisar de combustível ou reparos. Ah, tem uns andaimes na muralha, devem estar reparando. A estrutura parece antiga... o que?

O meio-elfo vê vários humanoides trabalhando. A  anões presos por uma única corrente. Estão cortando e arrancando galhos de arvores. Mais abaixo da muralha, outra dezena deles aplainam a madeira e fazem tabuas. Orcs se espalham pelo local, dezenas e dezenas indivíduos.

É quando ele os vê.

Saindo de uma cabana, surgem quatro elfos negros. Seus cabelos brancos e pele roxa eram inconfundíveis. Eles pareciam incomodados com a luz solar e colocam capuzes. Vistoriam o trabalho dos escravos.

-N-Não pode ser! – Smash esfrega os olhos quando percebe quem também sai da cabana.
Orunas, o tenente Ogro!

Estava completamente vivo! Não tinha sinais de combate, mas seguia os elfos de modo submisso. Provavelmente era subordinado das maléficas criaturas.

O Ogro saca uma corneta e a toca ao comando dos elfos. Varios orcs se reúnem enfileirados a frente dos vilões. Começam a mostrar armas e posições de batalha para seus mestres.

-Inspeção de tropa! Estão se preparando para partir! Devem ir a caça do nosso acampamento!
A fileira começou a se mover. Correiam para o norte.

-Eles devem tentar dar a volta nas montanhas pelo norte, até a vila élfica queimada, e nos rastrear de lá. – Smash relembra o tempo que passou na área de combate antes de se reunir aos colegas, apagando os rastros da retirada do grupo – Conseguimos fazer vários distratores, mas tudo isso me incomoda...

De repente, uma muralha do castelo explodiu.

-Por Nimb! – Smash exclama assombrado quando ve a parede de pedra despedaçando.

 Todo o castelo se inclinou. Pedras caiam, escravos despencavam caucinados. Uma voz de trovão irrompeu por todo o vale e montanhas próximas.

-ZANZER! SAIA DESSA CONCHA VELHA E ME ENFRENTE!!

O som quase derrubou Smash desfiladeiro abaixo. Uma sensação gélida percorreu sua espinha e ativou seus instintos mais primitivos de fuga. Era como se um predador o espreitasse.

-E-Essa sensação...é....um Dragão! – Smash se escondeu melhor. Sabia o que vinha a seguir.

A fera cruzou o ceu. Suas escamas verdes brilhavam cintilantes. Era imenso, quase trinta metros. Um dragão grande ancião, o maior representante de sua espécie. Mal era possível olhar para ele. Smash tremia como um rato cercado por serpentes. A aura de pânico do monstro era tão potente que vários escravos e orcs morreram com o susto.

Uma voz saiu do castelo. Era sóbria e convicta:

-POIS MUITO BEM FERA! POUPOU-ME O TRABALHO DE CAÇA-LO EM SEU COVIL! JÁ SEI COMO FUNCIONA SEU TRUQUE, ENTÃO LHE DAREI UM POUCO DO PODER QUE A FORTALEZA TEM A OFERECER!

Do topo da torre surgiu uma luz azulada. Ela se concentrou e o ar se encheu a sua volta se encheu de raios.

Um feixe de energia negra cruza o céu e acertou o dragão em cheio. O impacto desloca o ar criando um estrondoso trovão. A onda de choque arremessou o dragão longe, do outro lado da cordilheira, a dezenas quilômetros. Os orcs, elfos negros e o Ogro vibravam de alegria pela vitória.

Smash estava atordoado. Nunca vira uma demonstração de poder arcano tão apavorante.

-Calma, calma... – Smash dava tapinhas no rosto, para recobrar a atenção – Sempre tem um ponto fraco... Esse tipo de cara SEMPRE tem um ponto fraco. É o que papai diria.

Súbito, a fortaleza começou a descer, inclinada. Smash percebeu que o lado inclinado era onde estavam os andaimes de reparos.

-Aquele ponto não flutua legal? O tiro pode ter esgotado a capacidade de flutuação. – Concluiu o meio-elfo.

Vários escravos são destacados para subir em cordas em direção ao castelo. Um ciclo de reparos e torturas recomeça.

-Alí deve ser a entrada mais viável. Poderia ir por ali direto para o pátio interno...-Smash interrompeu o pensamento e olhou para a montanha. Renk a essa altura já devia ter encontrado o covil do Dragão! E o balsamo? E a troca de vidas?

-Lascou-se! Ou o Renk encontra o covil vazio e não dá em nada ou acha um dragão ferido e mal-humorado! – O meio-elfo se levantou e correu. Era preciso chegar nos companheiros antes dos regimentos orcs ou do dragão.

-Para descer até Nimb ajuda! – Smash saltou mais um trecho da montanha. Era risco de queda, mas pelo menos dali não seria mais avistado pelos comparsas de Zanzer.

-O ataque do Dragão atrasou toda a operação do sujeito, agora era preciso reunir o pessoal e partir, ou para o ataque, ou para a defesa da nossa base – Smash ponderava enquanto pulava de pedra em pedra, descendo a encosta ingrime. A floresta densa se aproximava cada vez mais.

Mais um salto, quase dez metros. Ao cair, Smash segurou nos galhos da copa de uma arvore logo abaixo. Apesar da velocidade, parecia que as plantas reagiam ao toque do meio-elfo com silencio.
-Essas roupas élficas são MESMO magicas! Assim ninguém vai me detectar tão cedo...
De repente, como que por encanto, um pedaço da armadura de couro rasgou. Um corte profundo se formou e o sangue começou a correr.

Por instinto, Smash mudou de direção e saltou novamente. Sentiu sobre a cabeça um movimento rápido e preciso. Um pedaço da touca da capa rasgou com a flecha endereçada a sua cabeça.
- Oh... veja isso, irmã. Ele esquivou! – Uma figura feminina apareceu de tras de uma arvore, segurando dois sabres.

- Quem diria... olhe! Não é um elfo puro! É um mestiço! Essa ilha é cheia de surpresas. – uma outra desceu de um galho a poucos metros de Smash.

-Sou Krisna. Aquela é minha irmã Kali. E você é um meio-elfo morto. Não vai mais bisbilhotar a fortaleza do mestre Zanzer!

As duas elfas negras, usando armaduras de couro negras se aproximavam confiantes. Seus olhos brancos, sem pupilas, contrastavam com sua pele arroxeada. Seus cabelos brancos estavam amarrados em rabos-de-cavalo.

-Pensou que não perceberíamos? Não notaríamos sua presença?

Smash vasculhou rapidamente onde falhou. Se escondera tão bem... conseguia visualizar toda a fortaleza com a luneta...

-Droga, o brilho do vidro da luneta! Que vacilo....

Smash colocou a mão no ferimento e fez uma expressão de dor. O corte não era profundo, mas parecia. Poderia surpreende-las, fingindo que estava ferido demais e tentar fugir. Ou combate-las e tirar mais preciosas informações.

-Aff... que enrascada me meti... – Conclui para si mesmo.

***

Os heróis avançavam pela floresta. Com Caliel à frente, o caminho tornou-se mais fácil, um bom trecho foi vencido sem problemas.

-A partir daqui é território do dragão. Minha comunidade não se aventurava por aqui. – Apontou a elfa da floresta.

-Então é hora de desbravarmos! – Capitão Harub tomou a dianteira.

-Quanta empolgação Harub! O que deu em você? O ar da floresta fez brotar um aventureiro ai? – Renk o ajudou a cortar a mata para passarem.

-Não, mestre meio-elfo. Somente estou ansioso em encontrar o local do descanso final de minha mãe. Foi no covil da criatura que ela pereceu para me salvar. Fui trazido a praia pelo próprio dragão! Mas agora posso dar um funeral descente a ela!

O canita avançou mais vigorosamente. Naquele momento, Renk admirou a longa vida de lutas e perseverança daquele homem.

-Já vejo a base da montanha! – Karim acenou do topo de uma arvore.

-Estranho. A força vital do dragão já seria perceptível daqui! – Luna fechou os olhos e se concentrou para aumentar a amplitude de sua percepção. – Talvez a força vital da floresta esteja interferindo. Se for, é uma excelente camuflagem.

-Se ele nos ameaçar, sentirei de imediato. Veja, a mata está menos espessa. – Renk avançou até uma clareira. Harub logo atrás.

-Chegamos. É aqui com toda a certeza! – Harub observava a frente com olhar determinado. A entrada da caverna era imensa. Uma bocarra na montanha. Samambaias cresciam ao redor, não havia sinal de ameaça.

-Vamos entrar! Preparem-se! – Renk tirou os equipamentos da mochila com uma estranha alegria.
Lugares como aqueles eram um convite para qualquer aventureiro.

– Hora de se arrastar em cavernas!